Será que tudo o que eu penso é real?
- maysaladeira

- 21 de fev. de 2023
- 4 min de leitura
Será mesmo que tudo o que pensamos ao longo do dia é real?
Você já refletiu sobre seus pensamentos? Mas será que dá para pensar sobre o pensar? Isso é meio doido, né? Mas sim, é possível! Mais do que possível, isso é importantíssimo!
Normalmente, vivemos nosso dia a dia percebendo as coisas ao redor e reagindo de acordo com as nossas percepções, certo? Se percebemos que tem pessoas nos olhando, por exemplo, tiramos conclusões sobre esses olhares e reagimos de acordo com essas nossas conclusões. Mas, aí talvez caiba um questionamento básico? Será que a conclusão sempre é bem conclusiva? Será que nossas percepções sobre o mundo sempre estão certas?
Vamos pensar sobre isso então: Quem é que produz nossas percepções? Nossas percepções são geradas a partir de um processo físico e cerebral que começa pelos órgãos dos sentidos, que captam as informações. Nossa atenção seleciona as informações captadas de acordo com o nosso interesse. Depois, essas informações selecionadas vão para a região cerebral que atribui significado a essa informação, e o significado conecta a informação a memórias e emoções que já temos semelhantes à informação atual. Assim, a memória e a emoção vão determinar a forma como devemos reagir e responder a essa informação captada. A memória traz outras experiências de reações ocorridas anteriormente, e a emoção ajuda a dar o tom, a intensidade e o tempero para essa reação. Assim, mandamos essa informação que o cérebro processa para o restante do corpo, para que os músculos, órgãos e glândulas possam produzir a reação planejada. É assim que funcionamos diante da percepção de qualquer evento ocorrido.
Então, você percebe que, para começar, a captação das informações é selecionada pela nossa atenção? Será que isso já nos é um indício de que essa informação pode estar sendo captada de forma tendenciosa? Depois disso, o processamento dessa informação se conecta com a nossa história de memórias de eventos semelhantes, e assim geramos uma interpretação semelhante a esse evento também. Me parece que tudo isso tem bastante manipulação nossa antes de tomarmos aquilo como verdade, não acha? Mas sim, é assim que funcionamos no mundo! Se você ainda não conseguiu acompanhar esse processo, vou colocar um exemplo para ficar mais claro, vem comigo!
Imaginemos que você vai fazer uma apresentação no seu trabalho. É um projeto que você já vem trabalhando há algum tempo, e está super empenhado em mostrar como isso é interessante aos seus demais colegas de outros setores da empresa que podem também ser beneficiados com o seu projeto no futuro. Ou seja, você está ansioso, na expectativa, preocupado se vão realmente gostar do seu projeto, se vão se interessar pelo seu trabalho e se vão aprovar a sua ideia, certo?
Então você vai, se coloca diante de todos num grande auditório, pega no microfone e olha para as pessoas à sua frente. Nesse momento, seus órgãos dos sentidos estão a todo vapor, captando tudo que for possível para buscar elementos que comprovam a aprovação ou desaprovação do seu trabalho. Daí, sua visão capta duas pessoas conversando ao invés de prestar atenção no que você fala, e sua audição ouve, de repente, uma pessoa bocejando. E aí? O que você poderia fazer com essas informações? Com certeza, elas irão até o cérebro e serão processadas, certo? E, de acordo com a sua experiência, quando pessoas estão com foco em outra conversa e não no que você está apresentando e bocejam no lugar de estarem alertas e atentas, são sinais de que está acontecendo um desinteresse, você pode pensar, e aí isso já gera uma interpretação de que sua apresentação já não está sendo tão aprovada assim.
Daí, emoções de desânimo, tristeza, ansiedade, e até frustração podem aparecer, juntamente com algum tipo de reação que será comandada pelo cérebro pra você tentar lidar com aquilo, seja tornando a palestra mais rápida e dinâmica, seja ficando mais perdido, sem saber o que fazer, ou seja se sentindo tão mal que até precise se retirar antes de terminar.
Entendeu como se processa tudo isso?
Mas, aí chegamos no ponto importante dessa conversa: será que essa interpretação é a única verdade? Será que sempre estamos certos nas nossas percepções? Será que essa pessoa que bocejou não estaria cansada simplesmente porque não conseguiu dormir a noite por motivos pessoais? Será que as pessoas conversando não estariam tendo de tratar de um assunto urgente que surgiu naquele momento e precisavam se comunicar, mesmo que não fosse da vontade delas?
Aqui é o pulo do gato, meus amores! Nem sempre tudo que pensamos pode ser verdade, pois essa interpretação da realidade muitas vezes é distorcida por filtros que nós mesmos produzimos na hora de interpretar a realidade. E, quando ficamos presos à nossa forma de pensar como única verdade, seguimos ao sabor do nosso cérebro, movido somente pelas experiências passadas, sem nos permitir ampliar o nosso olhar para tornar nossos filtros mais flexíveis e realistas. Se essa pessoa do exemplo conseguisse, na hora de sua interpretação das informações sensoriais captadas, ter uma flexibilidade para atribuir significado a essas informações, pensando que podem ser diversos motivos e não somente um que tornou uma certeza pra pessoa, talvez ela se sentiria muito mais confiante para continuar sua apresentação, e, sem dúvidas, estaria muito mais perto da realidade do que está quando produz uma certeza enrijecida.
Então, é isso que quero deixar pra você hoje!
Que você reflita sobre o seu pensar e sobre o seu olhar na hora de interpretar as coisas, pois os pensamentos que nossos cérebro produz, por mais que possamos tomar como verdade de cara, isso é um perigo, porque nem sempre o que passa pela nossa cabeça precisa ser real, é apenas um pensamento, uma produção cerebral, e nós, precisamos ampliar nosso olhar antes de nos fecharmos nossa própria realidade parcial.
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