Você costuma parar pra pensar sobre seus sonhos?
- maysaladeira

- 23 de mar. de 2023
- 8 min de leitura
Você costuma parar pra pensar sobre seus sonhos? Gosta de buscar significado pra eles? Qual é a sua relação com seus sonhos? Você acredita naqueles simbolismos místicos de que quando sonha com uma cobra é porque tem alguém grávida ou porque alguém vai te trair?
Bom... Se esses simbolismos místicos são reais ou não, infelizmente eu não consigo te dizer... Mas, quero conversar contigo sobre mais algumas curiosidades sobre os nossos sonhos que talvez possa fazer esse evento ter mais sentido pra você, O que acha?
Te garanto que tudo que trarei aqui terá base científica tanto da neurociência quanto da psicologia científica, beleza? Então bora lá!
Quando falamos de sonhos, imagino que milhões de questionamentos rondam nossa cabeça...
É assim contigo?
O que é um sonho na real?
Pra que serve um sonho?
Por que sonhamos?
Por que esquecemos da maioria dos nossos sonhos quando acordamos?
Por que temos sonhos sem pé nem cabeça?
Por que as vezes sonhamos com coisas que nos aconteceram no dia, outras vezes sonhamos com o que ainda tá pra acontecer e as vezes colocamos pessoas no nosso sonho que a gente já não encontra há tempos?
Por que as vezes reagimos fisicamente ao sonho, falando ou se mexendo, e outras vezes inserimos barulhos do mundo externo na nossa história dentro do sonho?
Caramba! É tanta pergunta, né? Tem mais alguma aí na sua cabecinha? Se tiver e eu não tiver respondido aqui depois desse artigo, só me mandar, tá?
Mas, por enquanto, me proponho a conversar contigo sobre esses, e vou tentar ser o mais clara possível pra você sair daqui com algumas informações interessantes amais sobre essa nossa habilidade, combinado?
O que é o sonho?
Sonhar é nada mais nada menos que uma atividade cerebral de imaginação que acontece enquanto estamos com a consciência rebaixada. Em outras palavras, quando a gente para pra imaginar uma história ou situação quando estamos acordados, estamos fazendo a mesma atividade que o nosso cérebro faz quando produz os sonhos. A diferença é que quando estamos dormindo, existe uma regiãozinha do nosso cérebro que é responsável pela consciência, pela noção de real ou imaginário que fica bem desligada, e assim, imaginamos igual, porém sem conseguir distinguir que aquilo não é real, e assim, vivenciamos tudo do sonho como se estivesse realmente acontecendo.
Afinal, pro nosso cérebro, sem a consciência ligada, ele não consegue distinguir o que é mundo interno e mundo externo, entende?
Pra que serve o sonho?
Pra que eu possa te explicar isso, vou usar conceitos psicológicos bastante baseados na psicologia científica, prioritariamente os conceitos de “privação” e “regulação emocional”. Como o próprio nome diz, a “privação” é quando estamos sentindo falta de um certo elemento que nos faz bem de alguma forma, e essa privação gera o desejo ou vontade de ter esse elemento novamente. Um exemplo básico é quando estamos com saudade. A saudade é gerada pela privação da presença de alguém que nos é importante, gerando o desejo ou necessidade de ter o contato com ela novamente.
E, me diz aqui: quantas vezes você já ficou pensando e imaginando aquela pessoa que você sente falta? No sonho não é diferente! Nosso cérebro identifica nossas privações e, na tentativa de nos saciar mesmo que momentaneamente, ele elabora realidades internas onde estamos suprindo nossa privação pra que possamos sofrer menos.
Isso fez sentido aí?
Mas, eu também te falei que existe outro conceito que é o da “regulação emocional”, certo? E como ela se encaixa no sonho?
É o seguinte: o sonho também tem uma função de identificar nossas emoções e tentar fazer aqui ter mais sentido pra gente, ou até mesmo ter menos intensidade pra que possamos relaxar mais. Tá meio confuso ainda?
Calma, vou te dar dois exemplos pra ficar mais claro!
Primeiro com relação a parte de tornar as emoções mais claras, vamos pensar que você vem se sentindo bastante desconfortável durante o dia com algo que te gera, por exemplo, medo. Imaginemos que você fez uma grande besteira e terá que contar pros seus pais, tá morrendo de medo de como eles vão reagir, e fica se sentindo mal o dia inteiro. Durante o sonho então, seu cérebro vai criar situações aleatórias, combinando elementos do dia e algumas outras informações que você tenha guardada pra criar uma realidade onde você estaria passando por algo semelhante ao que você teme que passe com seus pais, só que de forma bastante concreta. Se você tem medo que seus pais briguem contigo, te rejeite ou não te apoie mais, seu sonho pode criar histórias muito loucas de qualquer monstro ou pessoa ou evento onde você já esteja se sentindo rejeitado, ou excluído, ou largado sozinho em algum lugar, sei lá...
Tudo pra que aquele medo que você sentiu durante o dia se torne mais real e mais claro pra você. Possivelmente também numa tentativa de realizar logo aquilo que você teme pra que seu medo vá embora e você possa acordar mais emocionalmente regulado, entende?
Mas eu falei de outra coisa aqui a respeito da “regulação emocional” que foi a tentativa de reduzir a intensidade de uma emoção pra te permitir relaxar e dormir melhor. Essa função do sonho acontece quando você tá com aquele sono agitado, pensando em tudo que tem que fazer pro dia seguinte, pensando em trilhões de coisas pra resolver e objetivos a serem atingidos, e aí, compreendendo sua necessidade de resolver tudo aquilo que tá rodeando sua cabeça e identificando o excesso, por exemplo, de ansiedade mesmo durante o sono, seu cérebro então pode criar um sonho onde você já resolve aquilo que vai ter que fazer no dia, tentando só te relaxar pra você dormir, sabe? Daí, não sei se já te aconteceu isso...
Mas sabe quando você sonha que já acordou na hora ou sonha que já fez a prova ou já apresentou o trabalho que você tá super ansioso pra fazer naquele dia? Então... Isso é seu cérebro só tentando te deixar mais tranquilo, tá? Mas, só uma coisinha, se você tá com medo de perder a hora e acordar atrasado, pode ser também que sue sonho crie essa realidade, fazendo aquilo que já expliquei antes, tornando real um medo seu, pra que você possa vivenciar aquilo que você teme logo, e possa aliviar sua emoção.
Por que esquecemos da maioria dos nossos sonhos quando acordamos?
Pra você entender esse fenômeno, vou trazer mais dois conceitos da neurociência pra nossa conversa, beleza?
“Memória de longo prazo” e “memória de trabalho”.
O próprio nome dessas memórias já dizem bem pra que servem, né? A memória de longo prazo nos ajuda a armazenar informações por semanas, meses e até uma vida inteira, enquanto a memória de trabalho é aquela que a gente usa, pro exemplo, pra decorar rapidamente um endereço, um número de telefone, o nome daquela pessoa que você ficar naquela balada e nunca mais ver, sabe?
E aí, eu te pergunto, onde é que o sonho acontece?
Na memória de trabalho! Então, quando o sonho é muito grande e cheio de informações ou quando o sonho acontece durante o meio do sono, fica muito difícil de conseguirmos lembrar dele quando acordamos, porque nossa memória te trabalho não tem muita longevidade de armazenamento, entende?
É por isso que quando acordamos no susto por conta de um sonho, ou acabamos acordando na parte melhor do sonho, a gente lembra bem mais do que aconteceu, simplesmente porque tá mais recendo e ainda dá tempo da nossa consciência captar aquilo que a memória de trabalho tem guardada e jogar alguma coisa pra memória de longo prazo, antes que a memória de trabalho dê um “esvaziar lixeira” em todo o sonho.
Por que temos sonhos sem pé nem cabeça?
Por que as vezes sonhamos com coisas que nos aconteceram no dia, outras vezes sonhamos com o que ainda tá pra acontecer e as vezes colocamos pessoas no nosso sonho que a gente já não encontra há tempos?
Vou tentar responder a todas essas perguntas de uma vez, beleza?
Pra fazer um sonho, nosso cérebro busca a criatividade daquilo que temos guardadinho nas nossas caixinhas de memória, associadas a emoções parecidas com o que estamos sentindo no momento, e também usa trechos do que aconteceu durante o dia, porque são memórias que estão mais frescas pra serem acessadas. E, assim, o sonho trabalha mais com o significado emocional e conceitual do que realmente com informações claras e explícitas.
Sabendo disso, podemos então entender que: 1 – Muitas vezes os sonhos são sem pé nem cabeça porque o que importa na verdade pro nosso cérebro é concretizar a emoção, sem se importante se aquilo faz sentido ou não, então, pegando informações aleatórias de caixinhas e memórias que tem emoções semelhantes a atual e pegando informações do que passou no dia, ele só combina tudo isso e vira uma grande salada de informação, que a nossa criatividade tenta dar conta da melhor forma pra criar alguma história do sonho com isso.
Tudo porque, lembrando novamente: seu sonho não deve ser compreendido pela história em si, mas sim pelo significado emocional e conceitual que os elementos do sonho tem pra você, relacionando esses significados com o que você tem vivido atualmente.
2 – Sonhamos com coisas que estão pra acontecer ainda numa tentativa de resolver logo e reduzir a ansiedade ou sonhamos com o que já aconteceu tanto porque são as memórias que estão mais recentes no nosso cérebro, quanto porque pode ter sido algo que te aconteceu que te gerou algum tipo de emoção importante que você precisa reviver pra essa emoção ficar mais clara ou mais digerida dentro de você.
3 – Colocamos pessoas que já não vemos há tempos tanto porque podem ser pessoas que temos muita saudade e assim estamos tentando aliviar a “privação” da presença da pessoa, ou porque a pessoa tem significados parecidos com algo que estamos vivendo no momento presente, e o nosso cérebro conseguiu encontrar essa pessoa nas nossas caixinhas de memória por associação e colocou ela no meio do nosso sonho.
Por que as vezes reagimos fisicamente ao sonho, falando ou se mexendo, e outras vezes inserimos barulhos do mundo externo na nossa história dentro do sonho?
Pra entendermos isso juntos, preciso retomar alguns conceitos que já expliquei aqui e trazer outras informações, tá bom?
Já falei por aqui que nosso cérebro, com a consciência desligada, não consegue distinguir o que é mundo interno e o que é mundo externo, certo? Sendo assim, quando criamos imaginações durante o sono, elas se tornam super reais e viram o que chamamos de sonho, certo?
Sabendo disso, fica fácil entender que tudo que vivemos naquele momento da criação desse sonho se torna completamente real pro nosso cérebro, e ele precisa trabalhar na nossa reação corporal pra responder àquela realidade que estamos experimentando. Por isso, acabamos falando, se mexendo, e até mesmo sentindo emoções bastante importantes, que, muitas vezes, nos acordam com coração acelerado, aperto no peito, ou um quentinho gostoso no coração.
Já com relação a colocar informações do mundo externo que estão acontecendo na hora do sonho pra dentro do nosso sonho, isso é muito interessante!
Acompanha o raciocínio aqui comigo!
Você já ouviu falar daquela pessoa que colocou o ronco de quem estava do lado dela dormindo dentro do sonho como se fosse, sei lá, um trovão? Ou aquela pessoa que ouviu uma sirene tocando ou até mesmo o alarme do celular e ele se encaixou na história do sonho e a pessoa não acordou como deveria ter acordado?
Isso acontece porque apesar de estarmos dormindo, os órgãos que captam nossos sentidos permanecem funcionando plenamente, e assim, podem captar informações que o nosso cérebro pode querer pegar pra incluir no sonho também, e assim, podemos sentir muito frio ou calor durante o sonho e isso ser porque estamos realmente passando frio ou calor na realidade, e assim em diante.
Há quem trabalhe com o misticismo dos sonhos, há quem trabalhe com a espiritualidade dos sonhos, há também quem trabalhe com a religiosidade dos sonhos.
Vale salientar que não invalido nem tenho nenhuma objeção a isso. O objetivo aqui foi trazer informações práticas e científicas pra você poder entender melhor como funciona seu cérebro, seus sonhos e, principalmente, pra você começar a usar essas informações mais ao seu favor emocionalmente falando, combinado?
Espero, de coração, ter sanado um pouco das suas dúvidas, e adoraria ouvir você, se tiver mais alguma curiosidade sobre esse tema!
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